Gente com dificuldade para dormir, gente com distúrbios alimentares, gente nervosa, irritada e estressada já existem há muitos anos, mas eles nunca foram tão comuns como atualmente. Viver nas grandes cidades é um convite à loucura, não é mesmo?
A gente vive perseguido pelo medo, pela pressão da competitividade e pela falta de espaço.
Medo de ser assaltado, medo de perder o emprego, medo de perder o controle. Pressão por ser sempre o melhor, pressão por manter a produtividade em alta, pressão por ter que conciliar tudo ao mesmo tempo (família, trabalho, vida social, lazer e conta bancária). Falta de espaço nos condomínios, nas avenidas congestionadas e transportes públicos lotados.

Tem como ser normal num mundo como este?
Assim, não é raro nos surpreendermos com a gente mesmo, desenvolvendo comportamentos “estranhos”, sobre os quais a gente não tem muito controle. Quantas pessoas você conhece que sofrem com tique-nervoso, com o ranger de dentes, que roem as unhas ou desenvolram uma dermatite ou úlcera nervosa?
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A loucura do mundo moderno já está tão inserida na nossa vida, que muitas vezes não somos mais capazes de perceber os efeitos que elas produzem na gente. Você não consegue mais sair de casa sem celular, você precisa se certificar que deu duas voltas na fechadura da porta, você precisa ler os seus e-mails domingo de manhã?
Paradoxalmente, no mundo de hoje, por mais controles remotos a gente tenha, já não é possível ter o controle sobre tudo, nem sobre a gente mesmo. Mas tem quem ainda resista a essa máxima e coloque senha no computador, senha no telefone, senha no cadeado e depois enlouquece para poder se lembrar de tudo de cor, além de te que dar conta de todas as outras coisas do dia a dia, que não são poucas.
E se dizem que “de doido e de louco todo mundo tem um pouco”, pense duas vezes para decidir se você realmente se encontra fora dessas estatísticas.
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Texto por Fernanda Suguino. Todos os direitos reservados.



