Mudança de carreira… Você nunca pensou nisso?

carreira no gente com genteGente, estou sempre aqui e ali. Quem me conhece sabe que eu não paro nunca! Dentre as minhas últimas produções, gostaria de trazer para vocês a entrevista que concedi ao meu ex-aluno Renan Botelho para o site do jornal Rudge Ramos, de São Bernardo do Campo.

Imagem por logisticadescomplicada.com

Segue aqui a entrevista na íntegra em primeira mão para vocês ou clique aqui para ver a entrevista publicada.

Renan: Até que ponto uma mudança radical de profissão pode ajudar ou prejudicar uma pessoa, em relação à sua carreira?

Ajudar ou prejudicar são conceitos relativos e dependem da situação em que a pessoa se encontra. Cado caso deve ser analisado individualmente. Mas quando alguém se sente infeliz ou sente que a profissão que desempenha no momento não permite alcançar satisfatoriamente níveis de realização pessoal, mudar de carreira pode ser uma possibilidade viável. Entretanto, essa nem sempre é uma escolha fácil, pois envolve uma série de fatores que devem ser levados em consideração. Mudança no estilo de vida, mercado e rotina de trabalho são alguns deles.

Quanto mais longe a nova carreira for da área de atuação, formação ou de assuntos em que a pessoa tem experiência ou contato, maior será o esforço necessário.

Mas antes de simplesmente mudar de carreira, é extremamente importante ser capaz de identificar precisamente os fatores que estão gerando incômodo e/ou descontentamento na carreira atual.

Mudar de carreira nem sempre é uma solução para descontentamentos ligados a problemas de relacionamento com a chefia ou colegas de trabalho, rotina monótona ou remuneração insatisfatória.

Depois disso, também é importante avaliar se não há possibilidades de formação complementar como um curso, uma especialização, pós-graduação, mestrado ou MBA que possam agregar um conhecimento extra, mas com alguma interrelação com a área de formação da pessoa.

Mesmo que a formação tenha sido em uma área específica, muitas vezes é viável fazer uma especialização ou cursos em áreas bem diferentes, mas que possuem uma intersecção com o conhecimento estudado. Essa possibilidade, além de ter um tempo de duração menor, agrega conhecimento em uma área em que a pessoa já tem experiência, ao invés de começar uma nova carreira desde o início.

Renan: Na sua opinião, quais são os motivos que levam uma pessoa a tomar esta atitude?

plano de carreira no gente com genteOs motivos que levam uma pessoa a mudar de carreira variam muito de pessoa para pessoa, mas geralmente estão relacionados a baixos níveis de satisfação pessoal, desmotivação e o fato da escolha profissional ter sido feita quando as pessoas são ainda muito jovens e imaturas, por volta dos 17, 18 anos. Uma pesquisa feita pelo National Institute of Mental Health aponta que o cérebro humano só atinge a maturidade por volta dos 25 anos de idade, o que amplia as possibilidades da escolha profissional vir a ser insatisfatória no futuro.

Outros fatores como crise econômica, desenvolvimento de novas tecnologias e planos de constituir ou não uma família devem ser levados em consideração.

Imagem por qgdopetroleo.com

Renan: Você trabalhou durante muitos anos com orientação profissional, RH e com alunos do ensino médio. Quais são as principais dúvidas que seus alunos tinham na hora de escolher uma carreira?

Durante a minha experiência com jovens, adolescentes e adultos observei que a maioria deles sentia muita insegurança na hora de escolher uma carreira devido a pressão do mercado de trabalho, que praticamente exige que o jovem comece uma faculdade logo após o término dos estudos do Ensino Médio. Muitas vezes, o jovem começava a pensar no assunto apenas no ano de conclusão dos estudos e, de repente, tinha que ser capaz de traçar um plano de vida e de carreira a médio prazo, como se ele conhecesse, desde sempre, as opções de estudo, o mercado de trabalho e a si mesmo.

escolha profissional no gente com genteA maioria dos meus alunos se deparavam geralmente com um autoconhecimento incipiente, que dificultava muito a avaliação de suas ambições, habilidades e competências, e naturalmente, a escolha por uma profissão.

Há algumas escolas que já perceberam essa deficiência e incluíram no currículo atividades e momentos regulares durante a rotina escolar que visam preparar o jovem para fazer sua escolha profissional com mais consciência. Para atingirem o seu objetivo, essas atividades precisam acontecer de forma regular e devem trazer não apenas informações sobre a área de atuação, onde estudar, campo de trabalho, contato com vários profissionais de áreas diferenciadas, debates e discussões, palestras, visitas em faculdades e instituições de ensino.

Acima de tudo, essas atividades devem ser capazes de promover no aluno o autoconhecimento, o contato consigo mesmo, para que ele possa identificar o significa, para ele próprio, realização pessoal. Afinal, este conceito vai muito além de jargões como ser bem sucedido ou ganhar bem, por exemplo.

Imagem por psicologaonline.com.br

Renan: Assim que acaba o ensino médio, os alunos são forçados a tomar decisões sobre o futuro que querem seguir. Existe alguma relação dessa pressão com a mudança de profissão no futuro?

sucesso ou fracasso no gente com genteCom certeza. Como afirmei anteriormente, se não houve uma preparação prévia seja por parte da escola, dos pais e do próprio jovem nessa direção, a escolha profissional pode ser feita de forma precoce e insegura. Além disso, o jovem também não é maduro o suficiente para fazer planos a médios prazos, já que está habituado a pensar de forma imediatista como o que vai fazer no final de semana ou nas férias.

Imagem por comunicacaochapabranca.com.br

Renan: Você já teve um paciente ou conhece alguém com um história parecida? Como foi?

Sim, há várias histórias de pessoas que, durante a faculdade, após a conclusão do curso ou mesmo depois de anos de experiência na área resolvem mudar de profissão. E há muito mais pessoas que cogitaram o assunto pelo menos uma vez na vida.

Por se tratarem de informações sigilosas, prefiro não citar exemplos, mas àqueles que cogitam mudar de profissão, procurar um aconselhamento profissional ou um psicólogo pode auxiliar muito a lidar com esse processo tão turbulento.

Renan: O que importa mais para uma carreira bem sucedida: o dinheiro, o prazer pessoal ou o status?

Todos esses pontos são importantes para uma carreira bem sucedida: ser reconhecido pelo que faz, ter prazer em realizar suas atividades diárias e ser adequadamente remunerado pelo trabalho desenvolvido. Nenhum desses pontos podem ser analisados isoladamente. Entretanto, considerando um profissional que recebe um alto salário e ocupa em uma posição privilegiada numa empresa ou instituição de renome, caso a realização pessoal não representasse um papel importante para uma carreira bem sucedida, ele jamais ficariam desmotivado ou pensaria em mudar de carreira.

Se aumento e promoção fossem suficientes para motivarem uma pessoa para o trabalho, as empresas não investiriam tanto em programas motivacionais, não é mesmo?

Entrevista concedida por Fernanda Suguino

Psicológa e psicoterapeuta, formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em Psicopatologia pela USP.

Se você estiver passando por isso e estiver precisando de ajuda. Escreva para mim!

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Texto por Fernanda Suguino. Todos os direitos reservados.
Reprodução parcial permitida com citação obrigatória do link de origem.

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Autor: Fernanda Suguino

Fascinada por gente que pensa, questiona e desafia a si mesmo. Psicóloga formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em Psicopatologia pela NAIPPE/USP.

4 comentários em “Mudança de carreira… Você nunca pensou nisso?”

  1. Sou técnico em segurança do trabalho há 14 anos, tenho vários cursos de especialização na área, fiz faculdade de administração de empresas e MBA em Estratégia de Negócios para melhorar minha condição na empresa, buscando novos desafios e cargos de coordenação, estou formado em administração há 2 anos e não consigo concorrer a nenhuma vaga no mercado onde exige graduação em Adm, pois o meu técnico em segurança me deixou engessado a única experiência vista em meu curriculo é o técnico, e não consigo crescer na área de segurança do trabalho, pois os cargos de coordenador e gerencia são dados aos pós graduados em engenharia em segurança do trabalho, posso ter até mais conhecimentos, cursos e experiências, mas não posso assumir os cargos de comandos, hoje em dia minha frustação na área de segurança é muito grande tenho 38 anos e não me realizei profissionalmente e nem financeiramente, o que ganho mal dá para pagar as contas, tenho requisitos curricular que poderia exercer cargos de comando e ter bons salarios. Estou disposto em abandonar a área e tentar coisas novas, quero usar a graduação de administração e o MBA em alguma coisa que dê satisfação e prazer em realizar, descobri que tenho o dom de cozinhar e lidar com música e tem agradado muito aos amigos, vou investir meu tempo daqui pra frente na área da gastronomia, pois quero algo que me deixe feliz em realizar e proporcione rendimentos financeiros maiores.

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    1. Olá Sérgio,
      Histórias como a sua se repetem todos os dias. Contraditoriamente, em nosso país se difunde a propaganda de que devemos investir em educação, entretanto, muita gente ainda possui uma mentalidade retrógrada e discrimina quem começou a carreira realizando atividades técnicas e manuais. O estereótipo dos cargos de gerência e chefia exige, não apenas o diploma que comprove a formação acadêmica, mas também, um trato refinado ao lidar com conflitos e pessoas. Isso significa que só o diploma também não basta, é necessário deixar transparecer essa competência diferenciada desde detalhes pequenos, como a vestimenta, até a nossa postura e atitudes frente às mais diversas situações.
      Mas depois de uma certa idade na vida, a gente descobre que ser rico é menos importante do que ser feliz. E mesmo que você tenha investido tanto em uma carreira que não lhe trouxe retornos, nunca é tarde para voltar atrás e descobrir o que realmente o torna uma pessoa plena.
      Admiro e incentivo a sua iniciativa! Quando a gente é apaixonado pelo que faz, idade não é empecilho.
      Abraços
      Fernanda

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  2. Estou há 10 anos trabalhando na área administrativa, tenho formação superior na área, mas sempre tive um sonho de atuar na área da saúde. Como eu poderia me certificar de que uma mudança de carreira seria positiva?

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