Quase…

gelo e fogo no "gentecomgente"Tem muitas coisas que eu ainda preciso aprender na vida, mas dentre as poucas que eu já sei, uma delas é que eu não quero, de jeito nenhum, ter uma vida morna.

A vida morna é a vida sem intensidade, vivida por aqueles que preferem estar sempre no meio da maioria, à se expor às margens e aos riscos.

Apesar da vida morna parecer sem graça, é interessante observar como tem gente que, mesmo assim, acaba optando por ela. Gente que se acomoda com o conhecido e vida aquela mesma vidinha durante anos, sem sair do lugar.

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.

É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

automotivação no "gentecomgente"Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.

O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.

De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Poema de Luís Fernando Veríssimo

Imagem por wallysou.com

quase na linha de chegada no "gentecomgente"Imagem por band.com.br

Você também optou por uma vida morna? Digo-lhe apenas que o quase conseguir ainda é considerado falhar.

Texto por Fernanda Suguino. Todos os direitos reservados.
Reprodução parcial permitida com citação obrigatória do link de origem.

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Autor: Fernanda Suguino

Fascinada por gente que pensa, questiona e desafia a si mesmo. Psicóloga formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em Psicopatologia pela NAIPPE/USP.

2 comentários em “Quase…”

  1. Interessante o assunto de seu Blog , lembra as aulas do Roberto Clapes da casa do Dr. Goldenberg, sou um repetente das aulas dele desde 2005 … Também estou no facebook. Grato pela atenção.

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    1. Oi Márcio,
      Também sinto falta das aulas do Roberto, que eu frequentei por uns 6 meses e agora estou afastada porque estou morando em Berlim. Há algo que me inspira a escrever, que eu nem sempre sei o que é, quem sabe não tenho servido de canal para alguém?
      Abraços
      Fernanda

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