Idioma e personalidade

idioma e personalidade no "gentecomgente"Falar outro idioma, conhecer uma nova cultura ou viver em outro país faz com que a gente compare automaticamente tudo o que vemos, ouvimos, sentimos e pensamos.

Mesmo que a gente não queira, não é difícil se flagrar comparando coisas como a maneira como se diz aquilo no seu idioma, o quanto isso ou aquilo é (diferente) na sua cidade ou o modo como as pessoas se comportam nas mais variadas situações.

Nessas situações, percebemos o quanto de brasileiros temos dentro de nós.

Imagem por inglescomlegendas.blogspot.com

E mesmo quando a gente não fala nada, é impossível não pensar, por exemplo: “Ninguém lhe disse que não se deve beber água da torneira?” ou “Humm, acho que essa sandália ficaria melhor sem meias…”.

beber água da torneira no "gentecomgente"Imagem por consuladosocial.com.br

namorar com gringo no "gentecomgente"Imagem por prodesp.sp.gov.br

Notamos todo tipo de diferenças, desde as mais simples e banais como passar manteiga no pão antes da geléia ou a maneira as pessoas se cumprimentam na rua, até a maneira como se estabelecem as relações interpessoais: amizade, namoro, estudo, trabalho etc.

O idioma, por si só, também estabelece diferenças na forma como as pessoas expressam seus sentimentos.

joão sem braço no "gentecomgente"Como traduzir em inglês, alemão, russo ou japonês expressões como: “— Eu dei uma de João sem braço”, “— Não estou a fim de segurar vela” ou “— Pare de marcar touca” – sem ter que dizer explicitamente a mensagem que cada expressão carrega consigo?

Imagem por beerevolutions.blogspot.com

As interligações entre o idioma, a cultura e valores sociais são tantas e tão profundas, que quase me arrisco a afirmar que esse conjunto interfere na formação da nossa personalidade. Claro que essa é uma questão bastante complexa, mas aquilo que verbalizamos é reflexo do que pensamos e da maneira como organizamos nossas ideias e valores internamente.

personalidade no "gentecomgente"Imagem por ialexandria.sites.uol.com.br

bandeira da alemanha no "gentecomgente"É interessante observar, por exemplo, o quanto os alemães são precisos. Há um verbo específico para cada ação.

Em compensação, as expressões de afeto e carinho são limitadas. Só para se ter uma ideia, eles utilizam a mesma palavra para se referir a amigo(a) e a namorado(a).

bandeira japão no "gentecomgente"Em japonês, há várias formas de dizer a mesma coisa e eles as utilizam conforme a posição social e hierárquica que a pessoa ocupa no meio em que está inserida. Assim, é muito importante que a estrutura social seja clara e bem definida.

É óbvio que a gente não pode e não deve generalizar as pessoas conforme sua nacionalidade. Mas, não podemos negar que as pessoas nativas, sejam elas de onde forem, carregam consigo traços culturais em comum, fortemente enraízados. O único jeito é aprender com as diferenças!

Será que teríamos uma personalidade diferente da que temos hoje se tivéssemos nascido e crescido em outro país?

Provavelmente, sim.

Saiba mais:

Texto por Fernanda Suguino. Todos os direitos reservados.
Reprodução parcial permitida com citação obrigatória do link de origem.

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Autor: Fernanda Suguino

Fascinada por gente que pensa, questiona e desafia a si mesmo. Psicóloga formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em Psicopatologia pela NAIPPE/USP.

4 comentários em “Idioma e personalidade”

  1. Nunca estive fora do país, mas recebi uma pequena dose desse “choque cultural” quando, em 2008, acompanhei o passeio por São Paulo de dois conhecidos vindos da Suíça: jamais se depararam com um oriental, e, de repente, estávamos no bairro da Liberdade; um deles resmungou pelo fato de venderem apenas cerveja pilsen nos botecos; e quando visitaram o Rio, acharam estranho terem avistado pombos na praia. Às vezes não me dou conta de como o Brasil é imenso e que podemos nos sentir “estrangeiros” dentro de nosso próprio quintal. Além das características geográficas e climáticas de cada região, há, ainda, uma infinidade de sotaques, e até mesmo dialetos, que faz com que tenhamos mais de uma identidade nacional; afinal, os brasileiros da região Sul provavelmente se reconhecem de forma bem diferente dos brasileiros da região Norte. Aqui, não me sinto pertencente a lugar nenhum, e acho que não deve ser muito diferente de outras grandes cidades do mundo, talvez porque a globalização só dê certo mesmo em megalópoles como São Paulo (sei que é uma tese furada, mas em lugares onde há uma identidade cultural mais definida parece haver uma resistência maior). Não sei até que ponto esse fenômeno remodelou nosso modo de sentir, pensar e agir. Os Estados Unidos sempre doutrinaram o mundo através dos meios de comunicação de massa, e a imagem que temos dos outros povos é totalmente estereotipada, construída a partir dessa visão hegemônica. De fato, é uma pena que nem todos (eu incluso) possam visitar outros países para, assim, tirarem suas próprias conclusões – se bem que fazer turismo no Brasil às vezes sai mais caro do que viajar para o exterior.
    Muito bom o seu site, professora.

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  2. Nossaaaa, não imaginava que seriam tão complicados assim. Será que para demonstrarem sentimentos também são complicados? Isso demora tempo?

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  3. Vi seu comentário no meu blog e vim aqui pra ler um pouco sobre vc também.
    Nossa adorei esse texto! Já estou quase 2 anos na Alemanha e estou em uma fase difícil…os alemães me irritam! No começo era tudo lindo por ser novidade, mas agora, não consigo entender porque eles tem que ser tão complicados, frios e sistemáticos!
    Espero que essa fase passe logo e eu possa voltar achar tudo lindo! Quem sabe até lá eu já tenha virado uma “alemãozinha”!

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  4. É Nanda, a gente estranha mesmo. Mas a vantagem de estar em contato direto e frequente com uma outra cultura é que a longo prazo as coisas que nos assustam vão ficando normais. Depois de um tempo vc ja nao vê as outras culturas com a mesma estranheza, com a mesma sensação de “outro”. Você vê apenas mais uma forma de vida entre milhares de outras. Acho que essa é a grande vantagem de viver em outro país e saber outro idioma. Por outro lado, com o tempo pode ser que nada mais de outra cultura vai te dar aquele choque e curiosidade tão intenso como te daria se vc nao tivesse passado por esse processo…
    Amei o post!!!!

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