Ansiedade – o mal do século

pensamento-aceleradoMuitos dizem que a depressão é o mal do século, mas eu discordo. Acredito que o mal do século se chama ansiedade! Aquela vontade de antecipar o que ainda não aconteceu, de estar onde ainda não chegamos ou de ser o que ainda não somos.

Com tantos estímulos que recebemos do mundo à nossa volta é quase impossível não acelerar os pensamentos, estimular a imaginação ou simplesmente ficar parado. Novas tecnologias, apps, redes sociais, mundo virtual, televisão 3D e mil e outras coisas que roubam a nossa atenção a cada segundo. O mundo praticamente nos força a atender a essa necessidade de ser multi-task, de fazer várias coisas ao mesmo tempo, de ser competitivo, eficiente, produtivo. É como se também tivéssemos que estar à disposição 24 horas por dia. Sempre dispostos, cheios de energia, bem humorados e com boa aparência.

Claro que a ansiedade, por si só, não é algo negativo, muito pelo contrário. A ansiedade é inclusive necessária, pois ela cumpre um papel importantíssimo em nosso funcionamento psíquico. Graças a essa inquietação interna não nos deixamos ficar acomodados e estamos sempre em busca de mudanças, novidades e movimento. Mas por quê a ansiedade seria o mal do século?

A ansiedade passa a ser negativa quando essa energia fica parada ou é mal canalizada ou, claro, quando se sofre de transtornos de ansiedade (assunto para um próximo post). É negativo viver apenas nesse mundo imaginário de possibilidades infinitas, ocupando o tempo em fazer inúmeros planos sem equilibra-los com momentos de realizações concretas e palpáveis. Quando a gente se prende no mundo das possibilidades infinitas do nosso imaginário, sem conseguir definir objetivos ou fazer escolhas que possam ser concretizadas no futuro, vivemos no mundo do “como seria se…?”.

e-se-euSonhar, imaginar e teorizar essas possibilidades imaginárias nos exige tempo e energia imensuráveis. Tem gente que passa horas nesse mundo fictício do “se eu…”, mas tem ainda quem consuma meses, anos ou uma vida toda de pensamentos não concretizados. Quando nos damos conta do tempo que investimos em ideias que não chegaram nem no papel e ainda mais longe de se tornarem realidade, aí vem a frustração. Aquele sentimento de impotência, de fracasso e de inferioridade que detona a motivação e a autoestima. O tempo passou e você se dá conta que deu passos muito, muito menores do que poderia ter dado, pois estava mais focado nas possibilidades do que na realidade.

ansiedade-infantilEssa percepção geralmente acompanha as famosas crises da idade. A crise dos 30, 40, 50, 60 anos. São aqueles momentos em que paramos para analisar o que ficou para trás, quem nos tornamos e os rumos que a nossa vida tomou nesse tempo. Por vezes, olhamos para trás e sorrimos! Os filhos cresceram, a carreira progrediu, a qualidade de vida melhorou… Mas nem sempre é assim! 😦

Quando você se compara com as outras pessoas da sua idade ou até mais jovens e percebe que vocês estão longe de chegar num mesmo nível, a angústia aperta, o peito doi e o desespero pode bater à sua porta. Nesse ponto, você está fraco e vulnerável e se expõe mais facilmente à apatia, à melancolia e à temida depressão. É nesse ponto em que a gente se dá conta de quanto tempo foi investido no mundo do “e se…”. Enquanto você estava teorizando, sonhando e flutuando em pensamentos inconcretos, outros estavam aproveitamendo as chances que lhe passavam pela frente para crescer, evoluir e realizar seus sonhos.

Se eu correr o bicho pega, se eu ficar o bicho come!

Se ainda tiver sobrado tempo, força e motivação para dar os pulos necessários para chegar aonde você queria, corra atrás, mexa-se. Antes tarde do que nunca! Melhor reagir tarde do que ficar se lamentando pelo que você deixou de tentar ou fazer.

Portanto, tente mesmo que pareça tarde demais. Mesmo que não dê certo, a sua consciência agradecerá mais tarde por não ter que arrastar mais essa culpa. Não agir e culpar-se pelo que não fez também não ajuda você a sair do lugar e nem a se sentir melhor para seguir em frente. Fragilizado, com baixa autoestima e um histórico de fracassos é um prato cheio para que a depressão se instale.

Mal do século

Nem a ansiedade, nem a depressão são estados emocionais que surgiram com a chamada “modernidade”. Ambos são velhos conhecidos dos neurologistas, psicólogos e psiquiatras. Claro que o mundo mudou e muda a cada instante. A tecnologia se desenvolve a uma velocidade rasante e nós, seres humanos, continuamos a vir ao mundo com os mesmos “equipamentos” que tínhamos há séculos atrás. O nosso cérebro não sofreu upgrade, assim como nosso coração, pulmão e rins também continuam os mesmo dos nossos antepassados. Nós simplesmente aguçamos a nossa capacidade de adaptação para sobreviver e acompanhar as mudanças que nos cercam.

se-meu-fusca-falasseÉ como se a gente tivesse otimizado o nosso velho “Fusca” (corpo) para que ele fosse capaz de competir em uma corrida de Fórmula 1. O motor ainda é o mesmo, mas o piloto é mais ágil, a aerodinâmica foi aperfeiçoada e experimentamos correr riscos de forma inovadora. Vivemos contantemente expostos à desafios que exigem atenção, habilidade e superação. Esse estado constante de alerta aumenta os níveis de estresse e de ansiedade, que precisam ser extravasados de alguma forma.

roer-as-unhasTem gente que roi as unhas, tem gente que tem insônia, tem quem desconte na comida, no cigarro ou até no cartão de crédito. Cada um se adapta como pode, com os recursos internos que aprende e desenvolve ao longo da vida, seja sozinho ou em convivência com pessoas à sua volta. Há quem aposte nos cursos de ioga, na academia, na meditação… na tentativa de extravazar ou alcançar o tão comentado equilíbrio emocional. Mas também tem gente que se cansa ao longo do caminho, que desiste de correr ou entrega o trofeu pouco antes da linha de chegada.

Por isso, eu acredito que, antes da depressão tomar conta, há um complexo processo ansioso que antecede esse estado emocional e que, muitas vezes, fica em segundo plano. A depressão se torna a atriz principal enquanto todo o elenco secundário de estresse e ansiedade fica na obscuridade – o acúmulo de pressões, frustrações e decepções que se somaram a cada experiência insatisfatória e que fragilizam quem sofre de depressão. Por isso, defendo que a ansiedade é o mal do século. A depressão se aproveita dessa fragilidade para emergir de forma mais frequente e abrupta.

Ver também:

Dica de leitura:

augusto-cury-ansiedade-como-enfrentar-o-mal-do-seculo

Texto por Fernanda Suguino. Todos os direitos reservados.
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O significado das pequenas coisas

significado pequenas coisasInfelizmente, muita gente só se dá conta do que está acontecendo, quando as coisas tomam proporções irreversíveis. Aí, já é muito, muito tarde tarde. Muito tarde para remediar a situação, para voltar atrás ou até para sair correndo.

Muita gente fica surpreso quando aquele colega de trabalho lhe passa a perna, quando o relacionamento termina ou quando é demitido do trabalho. Não é raro observar que algumas pessoas reagem como se jamais esperassem que tal coisa pudesse acontecer.

Os últimos acontecimentos te pegaram de surpresa? Surpresa, por quê? Antes da situação tomar rumos drásticos, muito provavelmente, você deve ter recebido inúmeros  pequenos sinais (muitos mesmo) de que as coisas já não andavam lá muito bem, não é mesmo? Às vezes, os sinais são claros. Claríssimos! Praticamente óbvios! E ainda assim tem gente que parece que não vê (ou não quer ver a realidade).

Provavelmente, não faltaram chances de perceber que realmente não dava para confiar no João*. Ele raramente cumpria os horários. Quantas vezes te deixou esperando? Ele mentia. Telefonava para o trabalho dizendo que estava doente, enquanto passava o dia na praia com você. Ele dizia que te amava, mas era super agressivo até com o próprio cachorro. E ainda assim, você não conseguiu perceber que as coisas iam dar errado?

depois que o barco afundouClaro que depois que o barco afundou, a gente consome um tempão tentando entender o que houve. Repetimos a história mil vezes na nossa cabeça como num filme. Avançamos, retrocedemos, tentamos revisar tudo em câmera lenta, inventamos mil e uma versões possíveis para o final da história. É aí que nos fazemos aquelas perguntas clássicas: Por quê? Onde foi que eu errei? E se eu… tentar voltar atrás? E se eu… isso? E se eu aquilo?

O fato é que, na grande maioria das vezes, a gente praticamente ignora os tais pequenos sinais que nos alertaram de várias formas para o fato de que as coisas não estavam caminhando como o esperado. Depois que tudo passou é que as peças do quebra-cabeça começam a fazer sentido. É como se a gente estivesse cego e não fosse capaz de interpretar o óbvio. Mesmo quando um amigo ou mesmo nossos pais tentaram nos tirar a venda dos olhos, ainda assim não fomos capazes de enxergar o que se passava bem na frente do nosso nariz.

Por que não percebemos antes?

Talvez por tentar manter viva a esperança de que era apenas algo passageiro. Talvez por medo de sofrer ou por medo de “estragar” tudo, a gente fica meio cego, releva, tolera, aceita, leva numa boa, ignora. Não importa o nome que você queira dar a essa reação, mas no fundo, você se negou a ver a realidade como ela realmente é.

Preferiu realidade cega no gentecomgenteusar os óculos da ilusão. É como se a lente do óculos estivesse meio embaçada e a gente só fosse capaz de ver o que queria ver, o que queria que acontecesse.

Ignorar o significado das pequenas coisas faz com que a gente também ignore o fato de quem é capaz de mentir um ponto, também é capaz de mentir um conto! Ignoramos o fato de quem não respeita nem a si mesmo, não respeitará você também. Quem não tem escrúpulos no bar, também não tem escrúpulos no trabalho! Quem é falso com o vizinho, também é capaz de ser falso com um amigo. Quem não ama a si mesmo, não pode amar o outro. E por aí vai.

A verdade é que todos esses fatos estava alí, bem debaixo do nosso nariz. Vimos tudo isso acontecer, uma, duas, n-vezes. Mas não quisemos acreditar no que os nossos olhos estavam nos mostrando, devido a diversos motivos internos. E no fim, nos surpreendemos como se estivéssemos vendo aquele filme pela primeira vez.

Talvez repetimos e remoemos o passado, porque não conseguimos acreditar como fomos capazes de permitir que as coisas tivessem sido como foram. E para isso, procuramos, inventamos e (até) encontramos diversas justificativas para aliviar essa culpa que nos transtorna. Mas a verdade é que, se tivéssemos dado mais atenção ao significado das pequenas coisas, talvez teríamos tomado providências no tempo certo ao invés de chorar o leite derramado.

Por isso, aguce os sentidos, preste mais atenção nos detalhes, tente montar o quebra-cabeças com mais frequência, fique atento para as peças que estão faltando (ou sobrando). Tenha certeza de que nada está ali por um mero acaso. Tudo cumpre uma função e tem uma razão de ser. Só assim teremos uma chance de perceber e/ou  compreender os alertas que aquelas pequenas coisas nos dão. Meros pequenos detalhes, que no fim, fazem toda a diferença.

valor das pequenas coisasVer também:

* Nome meramente ilustrativo.

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Instinto de sobrevivência ou egoísmo?

egoísmo

Triste reconhecer, admitir e evoluir – Muita gente, independente da idade, grau de instrução ou classe social, não sabe diferenciar instinto de sobrevivência de egoísmo. Agressividade não é necessariamente algo negativo. Graças a ela somos capazes de liderar, inovar, criar… Criamos força e coragem para nos aventurar em novos projetos de vida, tentar uma nova profissão, investir em estudos, carreira, família e lutar contra os obstáculos e injustiças que encontramos no caminho.  Agressividade não é só positiva, como também muitas vezes, necessária!

Egoísmo: quando a agressividade circula exclusivamente em torno do EU

egoismoAgressividade em si não é ruim. O problema é quando agressividade de confunde com egoísmo, ou seja, quando o EU se torna o centro do universo e deve se sobrepor a tudo e todos. O excesso de energia voltada exclusivamente para si mesmo é puro egoísmo.

Triste reconhecer e admitir que muita gente adulta não desenvolveu isso com o tempo, nem com a idade, nem com os estudos, nem com suas experiências de vida, nem com os exemplos alheios. Pelo contrário! Essa gente usa toda a sua capacidade cognitiva para reforçar a ideia de que o mundo e as pessoas são perigosos e precisam ser “vencidos”.

Ninguém pode evoluir sem reconhecer e admitir suas fraquezas e erros. Pena que para os egoístas isso é MUITO difícil. Eles estão SEMPRE certos. Eles têm SEMPRE a razão e querem SEMPRE tudo para si mesmos, dos bens materiais aos imateriais. Amor, carinho, atenção… E muitas vezer, terminam sozinhos.

Os egoístas têm extrema dificuldade em dividir, compartilhar, compreender e ajudar. Eles precisam sempre levar vantagem, precisam estar no centro das atenções e precisam provar para si mesmos o quanto são bons. O fato é que essa muralha apenas reforça uma desesperada tentativa de manter o pouco que possuem. Muita gente leva a vida toda para compreender que trocar é mais valioso do que comprar.

troca-de-experiencias

Egoísmo, individualidade, imaturidade

Esse vídeo apenas demonstra o quanto esse egoísmo (ou individualidade, como muitos o chamam) está presente na nossa rotina. Por vezes, tão presente que mal o notamos. Não sei se fico triste pelos egoístas ou pelos que sofrem por ter que conviver com eles. Pior ainda quando eles insistem em não querer enxergar seus próprios defeitos.

Só me resta repetir: Triste reconhecer, admitir e (mais difícil ainda) evoluir.

Ver também:

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Vidas passadas: sim, o meu passado me persegue

acreditar-em-vidas-passadasNão, não vim falar de religião, nem de espiritismo. Gosto de viver um dia de cada vez, mas é impossível se despedir do passado. O que eu fiz ontem, na semana passada ou há um ano atrás influencia enormemente a situação, o lugar e a maneira como eu vivo o meu dia de hoje. Sim, independente de acreditar ou não em vidas passadas, afirmo com veemência: Sim, o meu passado me persegue!

Impossível não me perguntar o motivo que me levou a ser quem sou hoje. Por quê evito pessoas que só falam de si mesmas? Por quê só invisto em amizades de amigos que me aceitam como eu sou? Por quê resolvi evitar a ingestão de alimentos geneticamente manipulados? Por quê acredito ser importante poupar dinheiro?

Para todo “porquê” existe uma resposta. E todas as respostas para as minhas perguntas estão na minha vida passada! O que eu fiz ontem, semana passada ou anos atrás explicam o meu presente! Olhar para trás também pode ser uma forma de motivação, principalmente quando um objetivo presente parece perder o sentido. Quer ver um exemplo?

caso-ou-compro-uma-bicicletaPor quê estou com o sono atrasado?
Por quê ainda assim tenho que levantar cedo?
Por quê estudo tanto para passar no concurso X?
Por quê namoro com o fulano, se ele me irrita e me chateia?

Com certeza, quando fiz todas essas escolhas, tudo tinha um sentido, um propósito. Mas, então, por que eu ainda me pergunto: – Por quê? Simples!

Tempo investido nesses objetivos + cansaço + acontecimentos paralelos da vida diária
=
DESGASTE

desgaste-emocional

Com o tempo, as escolhas também ficam gastas! O resultado final é que esse propósito, que no passado era tão claro e óbvio, fica ofuscado, empoeirado. Novos acontecimentos passam a ganhar o primeiro plano e a minha escolha então se torna algo questionável. É por isso que olhar para trás pode ajudar a reconstruir o sentido que se perdeu entre o momento da escolha e a sua realização.

De quem é a culpa? A culpa não é de Deus, nem do Diabo. A culpa é minha! EU escolhi esticar o papo com os amigos ontem à noite. EU escolhi trabalhar 40 horas/semana. EU escolhi como objetivo passar no concurso X. E (de novo) EU escolhi namorar o fulano (ou, pelo menos, continuar com ele!). A escolha foi minha!

É por isso que, antes de desistir de tudo que parece não fazer sentido na minha vida, vou tentar relembrar os motivos responsáveis pelo meu dia de hoje. Vou tentar imaginar como eu era quando escolhi tudo isso. Vou pensar o que se passava na minha cabeça quando resolvi fazer essas escolhas no passado. Depois disso, pode até ser que eu faça novas escolhas. Mude isso ou aquilo. Mas, pelo menos, esclareço o que está acontecendo.

Ah! De novo o passado… Sim, o meu passado me persegue… O seu também???

espiritos-vidas-passadasLeia também:

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Ensine por meio de exemplos

Ler…

É incontestável a importância da leitura para o desenvolvimento e a formação de crianças, jovens e adultos. Durante as férias escolares, poucos são os alunos que consideram a leitura um lazer. Na maioria das vezes, as crianças associam a leitura às obrigações escolares e tentam manter distância dos livros nos dias de folga.

Constatamos que os alunos não gostam muito de ler. Esta é uma opinião partilhada por muitos professores e reforçada pelas estatísticas do IBGE que apontam que 25% da população sofre de analfabetismo funcional, ou seja, lê e escreve frases simples, mas não é capaz de interpretar textos e expressar com clareza suas idéias no papel.

Apenas para uma pequena parcela, ler é uma necessidade, um prazer ou até um vício. Mas, para a grande maioria, ler é uma imposição, uma obrigação normalmente desagradável imposta pela escola ou pela profissão.

Como as escolas estão enfrentando a situação?

O gosto pela leitura está diretamente associado aos estímulos proporcionados à criança na escola e na família. A escola tem um papel primordial no desenvolvimento de atividades de reforço e/ou iniciação ao gosto pela leitura, mas o contexto familiar é de suma importância. Crescer no meio de livros e ver, à sua volta, as pessoas que os apreciam pode ser um excelente início na formação de um leitor. Principalmente se forem pessoas significativas como os pais, avós, ídolos ou amigos.

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O Colégio Magister, onde trabalhei como Orientadora Educacional, resolveu enfrentar esse desafio e estimular os alunos nessa viagem por meio do evento “Feira das Palavras”. Em grupo, os alunos ofereceram aos convidados da noite uma palavra para o mundo. Foi uma oportunidade para que eles pudessem expressar de forma criativa suas idéias, conselhos e críticas relacionados aos temas mais diversos, escolhidos por eles próprios.

O engajamento ativo dos alunos a fim de transmitir uma ideia, mensagem ou pensamento foi o ingrediente que fez a diferença. Os grupos foram formados de acordo com a sua identificação com o tema. Os alunos precisavam se sentir parte integrante daquela causa, precisava se identificar com a ideia de corpo e alma, precisavam realmente acreditar que o tema pelo qual trabalhavam fazia sentido na vida deles. Assim, as palavras eram apenas ferramentas para se aprofundarem no tema, comunicarem suas opiniões, abraçar a causa e fazer a diferença.

Motivados por uma causa única, as ideias e as leituras surgiam naturalmente nos grupos, que eram orientados pelos professores, que por sua vez, também deviam se identificar de corpo e alma com o assunto. Assim, as palavras ganharam forma, foram palestras, vídeos, enquetes, peças de teatro, jogos, gincanas, panfletos, poemas… O método não importava. A causa e o engajamento sim eram o motor do trabalho. Dentre os temas surgiram maus tratos aos animais domésticos, destruição do meio ambiente, obesidade infantil, família patchwork entre outros.

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A identificação com o tema foi fundamental para que a leitura não fosse em vão, nem apenas para ganhar nota, mas sim, para que agregasse conhecimento, conteúdo e informação aos alunos. Essa identificação garantiu uma interação com o conteúdo lido e foi o estopim para que gerar ideias, discussões e muito crescimento. Senão, como em muitos trabalhos escolares, a leitura se torna mesmo um ato vazio de significado, uma atividade monótona, feita por obrigação, cujo retorno nem sempre justifica o tempo investido em sua realização.

Para complementar, de acordo com o norte que os trabalhos iam ganhando, os professores disponibilizava aos alunos fontes (livros, sites, jornais…) que contribuiam para a fundamentar o tema e embasar os argumentos dos próprios alunos. Eles percebiam então que havia um universo de pessoas que também se interessava pelo mesmo assunto e lutavam pela mesma causa. Essa experiência permitia ao mesmo tempo um crescimento intelectual, mas acima de tudo, pessoal aos alunos. O nosso lema era: estimular a sensibilidade, o senso crítico, o gosto pela leitura, contribuindo para a construção de cidadãos ativos, conscientes e comprometidos com a prática social.

O nosso objetivo foi disseminar e multiplicar os sentido das palavras àqueles jovens, que percebiam lentamente que as palavras era apenas uma ferramenta para mover ações, paixões e emoções que tocassem às pessoas a pensar sobre o assunto, assim como eles mesmos pensaram.

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Gradativamente, vimos as discussões do recreio mudarem de tom, vimos o espaço da Biblioteca ser reocupado, vimos alunos defendendo suas opiniões e engajando-se em causas pelas quais realmente acreditavam fazer sentido. E o colégio apoiou esse movimento promovendo encontro com escritores, participação em Olimpíadas Educacionais, apoiando projetos sociais e de ajuda à comunidade local.

As palavras possuem o poder de suscitar o imaginário, conduzir sentimentos, construir valores, instigar questionamentos, encontrar novas idéias e possíveis soluções que ampliem a nossa compreensão do mundo e a nossa capacidade de transformá-lo.

“Ler é a mágica de entender o silêncio das palavras num diálogo incessante entre um livro que fala e uma alma que responde.”

Texto por Fernanda Suguino, Orientadora Educacional, Colégio Magister (2008-2009)

Pena que no texto original (Magi News, Colégio Magister Junho/2009)  escreveram meu nome errado…

Um grande abraço a todos os pais e alunos com quem tive a oportunidade e o prazer de trabalhar! Saudades de vocês e dos tempos de Magister! Foi um prazer fazer parte dessa história e ver alguns alunos ativos em movimentos estudantis que tentam mudar a cara do nosso país!

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Como você estimula ou pretende estimular o seu filho a ler?

Viver juntos para sempre… Conto de fadas X realidade

Conta uma lenda dos índios sioux que, certa vez, um jovem casal apaixonado chegou de mãos dadas na tenda do feiticeiro da tribo e perguntaram-lhe o que poderiam fazer para ficarem juntos para sempre.

Pensativo, o feiticeiro disse que algo poderia ser feito, mas que seria uma tarefa MUITO difícil.

falcaoA moça deveria escalar a montanha sozinha e, apenas com uma rede capturar o falcão mais vigoroso.

O rapaz deveria fazer o mesmo na montanha mais ao sul e capturar a mais brava de todas as águias.

Os animais deveriam ser entregues vivos ao feiceiro até o terceiro dia depois da lua cheia.

voo_aguiaAmbos partiram para cumprir sua missão! No dia marcado, o casal aguardava o velho com as aves, certos de terem cumprido todas as instruções recebidas!

O feiticeiro constatou que se tratavam realmente dos animais que ele havia pedido. Então ordenou ao casal que amarrassem as aves pelos pés com uma corda de couro. Assim, elas viveriam juntas para sempre!

O casal cumpriu as ordens do velho sábio. Ao soltar as aves, ambas tentaram voar, mas não conseguiram. Minutos depois, irritadas pela impossibilidade de voo, as aves arremessaram-se uma contra a outra, bicando até se machucarem.

briga_de_casal

Então, o velho disse:

─ Jamais se esqueçam do que estão vendo aqui! Vocês são como a águia e o falcão. Se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão se arrastando, assim como, cedo ou tarde, machucarão um ao outro.

casal_algemado
Se quiserem que o amor de vocês dure, voem juntos, mas jamais amarrados. Libere a pesoa que você ama para ela possa voar com as próprias asas. Respeite o direio dela voar rumo aos seus sonhos.

A lição principal é que somente livres as pessoas são capazes de amar.

liberdade_de _viver

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Ano novo, vida nova!

velasAno novo nem sempre é aquele que vivenciamos no Reveillon, mas sim, o nosso aniversário. Esse sim é o nosso verdadeiro “ano novo”.

É por isso, que eu aproveito a ocasião para convidar os meus familiares, amigos, colegas de trabalho e os seguidores do http://www.gentecomgente.wordpress.com a fazerem parte do meu 2013, que para mim, começa exatamente HOJE!

Esses são os meus votos, para o ano que se inicia!!!

cortando_o_bolo

Nem a tristeza, nem a desilusão.
Nem a incerteza, nem a solidão…
Nada me impedirá de sorrir…
Nem o medo, nem a depressão.
Por mais que sofra meu coração…
Nada me impedirá de sonhar…
Nem o desespero nem a descrença.
Muito menos o ódio ou alguma ofensa…

Nada me impedirá de viver…
Mesmo errando e aprendendo.

Tudo me será favorável…
Para que eu possa sempre evoluir.
Preservar, servir, cantar, agradecer.

Perdoar, recomeçar…
Quero viver o dia de hoje.
Como se fosse o primeiro…
Como se fosse o último.
Como se fosse o único…

Quero viver o momento de agora.
Como se ainda fosse cedo.
Como se nunca fosse tarde…
Quero manter o otimismo.
Conservar o equilíbrio e fortalecer
a minha esperança…

Quero recompor minhas energias.
Para prosperar na minha missão,
e viver alegremente todos os dias…
Quero caminhar na certeza de chegar…
Quero lutar na certeza de vencer…
Quero buscar na certeza de alcançar.
Quero saber esperar para poder realizar,
os ideais do meu ser…

(Blandinne Faustine)

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Abraços a todos!!!!