Sobrepeso, obesidade e autoestima

Muito se fala sobre a necessidade de amar e valorizar a si mesmo. Ser capaz de se olhar no espelho e se aceitar como é, gostar do que vê e de automotivar independente de nossas qualidades e defeitos. Claro que a imagem refletida no espelho é apenas uma parte de nós e muito se esconde por trás dela. Mas uma rápida olhada no espelho nos permite saber como anda a nossa autoestima. Este é um ato tão automático que nem nos damos conta de como reagimos ao que vemos.

Eu X Eu mesmo

Como anda o seu relacionamento frente ao espelho (ou melhor, com você mesmo)?
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– Confiante:

Admira sua imagem com vaidade, encoraja-se para os desafios dizendo palavras de incentivo para si mesmo. Mostra os dentes. Sorri! Está satisfeito com o que vê e acredita que tudo vai dar certo, porque você está com tudo em cima!

– Crítico:

Procura defeitos e tudo o que poderia melhorar. Ajeita o cabelo, analisa as marcas de expressão no rosto, estica a camisa, dá um tapinha na barriga e pensa em tudo o que ainda há por fazer. Olha o relógio, em cima da hora de novo? Imagina a pilha de afazeres que ainda não foi concluída e tudo o que você deveria ter feito e ainda não fez…

– Inseguro:

As olheiras estão horríveis. E esse cabelo então, nem se fala? Essa roupa de novo? A barriga pulando pra fora da calça? Melhor disfarçar com uma blusa mais folgada… Ah, não tem jeito mesmo! Você se sente inseguro, cansado e desmotivado. Melhor seria ficar em casa, mas o jeito é sair de casa assim mesmo para não chegar atrasado novamente.

– Conformado:

Que fazer? Bem que você podia estar melhor, mas alguns defeitos te acompanham a tanto tempo, que você já os aceita como parte de você. A idade está chegando, aquela “fofura” abdominal, ombros caídos e um cansaço diário… Talvez você já tenha até feito algo para mudar ou esteja fazendo, mas como a mudança está demorando para aparecer, o jeito é ir levando…

Enfim, você anda evitando o espelho?

Provavelmente porque não anda muito satisfeito com a imagem que ele reflete de você, principalmente quando você detecta aqueles quilinhos a mais nos lugares mais indesejados, mas que insistem em não querer te deixar sozinho. Não desista de você! Afinal, se sentir-se motivado e radiante fosse tão fácil, você não estaria se sentindo assim!

Frente à frente com você mesmo

Ao ver o nosso reflexo no espelho nos confrontamos com a nossa aparência física, que é obviamente acompanhada de todos os nossos valores, crenças, auto-críticas, preconceitos, inseguranças, medos e sentimentos diversos. A nossa imagem no espelho reflete o nosso estado de espírito, a nossa autoestima e o nosso nível de energia.

Se você não está se sentindo bem consigo mesmo, com certeza, não ficará satisfeito com o que vê à sua frente. Mas não se culpe, a grande maioria das pessoas não se sente tão confiante asssim. Por um lado, um certo alívio por não estar sozinho nesse barco; por outro, pena que pouca gente se sinta tão bem consigo mesmo. Saiba apenas, você não é o único responsável por essa situação e você não culpado por isso. Pelo contrário!

Terapia ajuda nesse caso?

Em outros tempos, eu diria que uma terapia poderia lhe ajudar a lidar melhor com sua autoimagem, auxiliar a se aceitar melhor e conviver de forma mais harmoniosa com os defeitos e limitações que todo mundo tem. Mas é claro que a terapia jamais vai modificar sua imagem no espelho.

O fato é que eu descobri que nunca fomos tão vítimas de um marketing negativo sobre diversos mitos relacionados à alimentação. Práticas que nos engordam, detonam a nossa autoestima e ainda nos repassa a culpa por estarmos cansados, sedentários, desmotivados e/ou fora de forma. Clique aqui para saber mais sobre esses mitos alimentares, que me deixaram mesmo indignada, surpresa e, por vezes, boquiaberta.

Como psicóloga, não desmereço os benefícios da terapia como apoio para vivenciar processos de mudança interna, autoreflexão e busca da identidade. Mas também não acredito em sucesso, se a principal causa do problema não estiver sendo trabalhada em paralelo. A grande novidade aqui é que isso está sim ao alcance das nossas mãos e é mais fácil do que eu imaginava.

“Que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio”. (Hipócrates)

Obesidade, autoestima, terapia…???

Esse tripé vai muito além do que uma preocupação estética. É uma questão de saúde física e mental. Independente da sua barriguinha te incomodar ou não, saiba que há muitos outros fatores por trás da gordurinha.

A gordura visceral prejudica o funcionamento dos órgãos, afeta o estado geral de funcionamento do organismo, altera as trocas de substâncias e minerais em nível celular, enfraquece seu sistema imunológico, desregula suas taxas hormonais, fora o aumento da pré-disposição para doenças como diabetes, alergias e outras doenças degenerativas com Alzeimer e Parkinson, por exemplo. Como você pode ver, a questão estética é apenas uma pequena ponta do iceberg…

Apesar da estética ser mesmo algo secundário, o fato do sobrepeso alterar diretamente a nossa autoimagem acaba sendo o fator disparador para a nossa insatisfação pessoal. O descontentamento com a nossa imagem no espelho é o que motiva inicialmente a busca por mudanças. Uns se matriculam na academia, outros começam uma dieta, alguns procuram tratamentos estéticos ou mesmo ajuda profissional ou tentam suplementação alimentar por conta própria. Uma pequena parcela busca a terapia como apoio para lidar com a auto-aceitação, quadros de desmotivação, melancolia e até, depressão.

O fato que a maioria dessas ações são soluções temporárias. Ações que infelizmente não trazem o resultado que desejamos. E quando trazem, tão logo relaxamos na dieta ou faltamos na academia ou damos uma pausa na terapia, os efeitos positivos desaparecem. Ou seja, ou nos tornamos prisioneiros da academia e controlamos tudo o que comemos ou nos contetamos com os quilos a mais que insistem em se acumular com a idade e o estilo de vida da maioria das pessoas:

  • acordar cedo
  • enfrentar o trânsito
  • trabalhar até tarde
  • chegar em casa cansado
  • dormir de 5 a 6 horas por noite…

… e (con)vivemos com a culpa de não se alimentar corretamente, de não se exercitar o suficiente, de não estar super motivado para enfrentar os desafios rotineiros e corriqueiros da vida.

A CULPA NÃO É SUA! Repito: A CULPA NÃO É SUA!

De quem é a culpa?

Infelizmente estamos cercados de marketing negativo, mal intencionado e pouco interessado na nossa saúde. As indústrias alimentícia, farmacêutica e estética (como todas as outras) visam o lucro, independente se para isso tiverem que sacrificar a sua saúde. Sim, é isso mesmo: a sua saúde NÃO importa! Também fiquei indignada quando ouvi isso pela primeira vez, mas é a mais pura verdade.

E muito do que se ouve por aí são mentiras absurdas, de hábitos que internalizamos ingenuamente por achar que estávamos sendo responsáveis e conscientes em relação à nossa alimentação, à nossa vida e à vida dos nossos familiares. Meu objetivo é convidar você a ver isso por outro ângulo. Questionar paradigmas sem aceita-los passivamente. Seja curioso, retire a venda que colocaram nos nossos olhos e repense hábitos fortemente arraigados na nossa cultura. Eu te garanto que valerá à pena investir em informações que podem mudar para sempre a sua vida, a sua autoestima, a sua maneira de ver o mundo e a sua imagem no espelho.

Para isso, convido-o à leitura de alguns best-sellers, blogs de especialistas e vídeos de médicos que se aprofundaram no assunto e podem esclarecer os detalhes com mais propriedade do que eu.


Dr. Lair Ribeiro

Site recomendado: Academia Lair Ribeiro


Dr. José Carlos Souto

Site recomendado: www.lowcarb-paleo.com.br


Dr. Patrick Rocha

Site recomendado: drrocha.com.br


Rodrigo Polesso

Site recomendado: emagrecerdevez.com


Best-Seller:

barriga-de-trigo Barriga de Trigo – William Davis

Pasmem…
Aqui entendi, por exemplo, que duas fatias de pão integral (que eu julgava saudável) possuem mais açúcar do que a uma quantidade proporcional de açúcar em sua forma pura. Ou seja, comer açúcar puro é quase melhor do que comer pão!!!

Além disso, o trigo é capaz de de gerar efeitos de dependência semelhante aos opióides em nosso organismo.


 

Seja curioso! Informe-se e tire suas próprias conclusões. Garanto que você só tem a ganhar com isso.

Texto por Fernanda Suguino. Todos os direitos reservados.
Reprodução parcial permitida com citação obrigatória do link de origem.

As aparências enganam: alegria por fora, tristeza por dentro

Viver de bem com a vida, bem humorado e desencanado nem sempre é sinônimo de gente despreocupada, feliz e descomplicada. As aprências enganam! Nem sempre a alegria que mostramos ao mundo lá fora siginifica que sentimos felicidade lá dentro. Há um tempo, observo que muita gente entitulada como o palhaço da turma, o bobo da corte ou simplesmente o comediante do grupo são pessoas que, na vida pessoal, enfrentam contextos conturbados, conflituosos e até muito sofridos e solitários. É como se o humor funcionasse como uma espécie de válvula de escape para lidar com o sofrimento interno.

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Esse humor, essa alegria, criatividade e ironia que muitas vezes nos faz rir, tornam essas pessoas queridas e bem-vindas por amigos, familiares e desconhecidos, contagiam o grupo mas funciona como uma espécie de cortina, que camufla a dificuldade em lidar com o sofrimento, com a tristeza, com as perdas, as frustrações, traumas e com a solidão. Apesar de parecer difícil de acreditar, não é raro observar que essas pessoas rotuladas publicamente como sendo super divertidas possuem um lado introvertido, tímido ou até mesmo depressivo.

as-aparencias-enganamE ainda mais curioso é o fato de que, quanto mais piadas e aparente descontração observamos na vida pública, maior é o sofrimento que se esconde por trás dessa fachada na vida privada. Ao mesmo tempo que essas pessoas são queridas e populares na vida social, elas possuem vínculos frágeis e superfíciais na vida pessoal. É como se não faltassem amigos para acompanhar as rodadas de cerveja até de manhã, mas faltassem pessoas de confiança para desabafar o que aperta o coração.

Claro que esse jeito zombeteiro e descolado também não ajuda a deixar a conversa seguir para esse rumo. Mesmo que se fale dos problemas, dificilmente a gente leva essas pessoas tão a sério, a ponto de atribuir uma dimensão maior aos problemas que elas nos contam. O que, por outro lado, não ajuda a pessoa a evoluir, nem lidar com suas inquietações, conflitos ou imaturidade interna.

ciclo-viciosoAssim se instala um ciclo vicioso difícil de quebrar. O fulano finge que está feliz, faz piada de tudo, os que estão em volta acreditam nessa fachada e esperam que o fulano esteja sempre de bem com a vida. E se por um acaso, um certo dia o fulano está meio pra baixo, isso é interpretado como sendo mais uma de suas brincadeiras. Isso quando o fulano não faz piada do próprio desgosto. As pessoas que o cercam simplesmente pensam:
— Não se preocupe, vai passar!

Se a gente parar pra pensar, seja nos quadros de euforia ou de depressão, o que se altera é a maneira e a intensidade com que o humor se configura em cada situação. O humor desempenha um papel fundamental na criatividade, na psicose, no transtorno bipolar, na esquizofrenia e na depressão. A descompensação, seja para um pólo ou para o outro, é sempre algo que merece atenção especial e, muitas vezes, intervenção profissional.

humor descompensado Não é raro que, a falta de recursos psíquicos dessas pessoas que parecem alegres, mas na verdade são tristes, tendencie para problemas relacionados ao alcoolismo, uso de drogas e descontrole das rédeas da própria vida como dificuldade de lidar com as finanças, maus hábitos de saúde ou atitudes marcadas pela irresponsabilidade.

Mesmo que seja difícil de acreditar, esses falsos palhaços precisam de atenção, apoio, amor e ajuda. Portanto, fique atento e não se deixe enganar pelas aparências!

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Texto por Fernanda Suguino. Todos os direitos reservados.
Reprodução parcial permitida com citação obrigatória do link de origem.

Ansiedade – o mal do século

pensamento-aceleradoMuitos dizem que a depressão é o mal do século, mas eu discordo. Acredito que o mal do século se chama ansiedade! Aquela vontade de antecipar o que ainda não aconteceu, de estar onde ainda não chegamos ou de ser o que ainda não somos.

Com tantos estímulos que recebemos do mundo à nossa volta é quase impossível não acelerar os pensamentos, estimular a imaginação ou simplesmente ficar parado. Novas tecnologias, apps, redes sociais, mundo virtual, televisão 3D e mil e outras coisas que roubam a nossa atenção a cada segundo. O mundo praticamente nos força a atender a essa necessidade de ser multi-task, de fazer várias coisas ao mesmo tempo, de ser competitivo, eficiente, produtivo. É como se também tivéssemos que estar à disposição 24 horas por dia. Sempre dispostos, cheios de energia, bem humorados e com boa aparência.

Claro que a ansiedade, por si só, não é algo negativo, muito pelo contrário. A ansiedade é inclusive necessária, pois ela cumpre um papel importantíssimo em nosso funcionamento psíquico. Graças a essa inquietação interna não nos deixamos ficar acomodados e estamos sempre em busca de mudanças, novidades e movimento. Mas por quê a ansiedade seria o mal do século?

A ansiedade passa a ser negativa quando essa energia fica parada ou é mal canalizada ou, claro, quando se sofre de transtornos de ansiedade (assunto para um próximo post). É negativo viver apenas nesse mundo imaginário de possibilidades infinitas, ocupando o tempo em fazer inúmeros planos sem equilibra-los com momentos de realizações concretas e palpáveis. Quando a gente se prende no mundo das possibilidades infinitas do nosso imaginário, sem conseguir definir objetivos ou fazer escolhas que possam ser concretizadas no futuro, vivemos no mundo do “como seria se…?”.

e-se-euSonhar, imaginar e teorizar essas possibilidades imaginárias nos exige tempo e energia imensuráveis. Tem gente que passa horas nesse mundo fictício do “se eu…”, mas tem ainda quem consuma meses, anos ou uma vida toda de pensamentos não concretizados. Quando nos damos conta do tempo que investimos em ideias que não chegaram nem no papel e ainda mais longe de se tornarem realidade, aí vem a frustração. Aquele sentimento de impotência, de fracasso e de inferioridade que detona a motivação e a autoestima. O tempo passou e você se dá conta que deu passos muito, muito menores do que poderia ter dado, pois estava mais focado nas possibilidades do que na realidade.

ansiedade-infantilEssa percepção geralmente acompanha as famosas crises da idade. A crise dos 30, 40, 50, 60 anos. São aqueles momentos em que paramos para analisar o que ficou para trás, quem nos tornamos e os rumos que a nossa vida tomou nesse tempo. Por vezes, olhamos para trás e sorrimos! Os filhos cresceram, a carreira progrediu, a qualidade de vida melhorou… Mas nem sempre é assim! 😦

Quando você se compara com as outras pessoas da sua idade ou até mais jovens e percebe que vocês estão longe de chegar num mesmo nível, a angústia aperta, o peito doi e o desespero pode bater à sua porta. Nesse ponto, você está fraco e vulnerável e se expõe mais facilmente à apatia, à melancolia e à temida depressão. É nesse ponto em que a gente se dá conta de quanto tempo foi investido no mundo do “e se…”. Enquanto você estava teorizando, sonhando e flutuando em pensamentos inconcretos, outros estavam aproveitamendo as chances que lhe passavam pela frente para crescer, evoluir e realizar seus sonhos.

Se eu correr o bicho pega, se eu ficar o bicho come!

Se ainda tiver sobrado tempo, força e motivação para dar os pulos necessários para chegar aonde você queria, corra atrás, mexa-se. Antes tarde do que nunca! Melhor reagir tarde do que ficar se lamentando pelo que você deixou de tentar ou fazer.

Portanto, tente mesmo que pareça tarde demais. Mesmo que não dê certo, a sua consciência agradecerá mais tarde por não ter que arrastar mais essa culpa. Não agir e culpar-se pelo que não fez também não ajuda você a sair do lugar e nem a se sentir melhor para seguir em frente. Fragilizado, com baixa autoestima e um histórico de fracassos é um prato cheio para que a depressão se instale.

Mal do século

Nem a ansiedade, nem a depressão são estados emocionais que surgiram com a chamada “modernidade”. Ambos são velhos conhecidos dos neurologistas, psicólogos e psiquiatras. Claro que o mundo mudou e muda a cada instante. A tecnologia se desenvolve a uma velocidade rasante e nós, seres humanos, continuamos a vir ao mundo com os mesmos “equipamentos” que tínhamos há séculos atrás. O nosso cérebro não sofreu upgrade, assim como nosso coração, pulmão e rins também continuam os mesmo dos nossos antepassados. Nós simplesmente aguçamos a nossa capacidade de adaptação para sobreviver e acompanhar as mudanças que nos cercam.

se-meu-fusca-falasseÉ como se a gente tivesse otimizado o nosso velho “Fusca” (corpo) para que ele fosse capaz de competir em uma corrida de Fórmula 1. O motor ainda é o mesmo, mas o piloto é mais ágil, a aerodinâmica foi aperfeiçoada e experimentamos correr riscos de forma inovadora. Vivemos contantemente expostos à desafios que exigem atenção, habilidade e superação. Esse estado constante de alerta aumenta os níveis de estresse e de ansiedade, que precisam ser extravasados de alguma forma.

roer-as-unhasTem gente que roi as unhas, tem gente que tem insônia, tem quem desconte na comida, no cigarro ou até no cartão de crédito. Cada um se adapta como pode, com os recursos internos que aprende e desenvolve ao longo da vida, seja sozinho ou em convivência com pessoas à sua volta. Há quem aposte nos cursos de ioga, na academia, na meditação… na tentativa de extravazar ou alcançar o tão comentado equilíbrio emocional. Mas também tem gente que se cansa ao longo do caminho, que desiste de correr ou entrega o trofeu pouco antes da linha de chegada.

Por isso, eu acredito que, antes da depressão tomar conta, há um complexo processo ansioso que antecede esse estado emocional e que, muitas vezes, fica em segundo plano. A depressão se torna a atriz principal enquanto todo o elenco secundário de estresse e ansiedade fica na obscuridade – o acúmulo de pressões, frustrações e decepções que se somaram a cada experiência insatisfatória e que fragilizam quem sofre de depressão. Por isso, defendo que a ansiedade é o mal do século. A depressão se aproveita dessa fragilidade para emergir de forma mais frequente e abrupta.

Ver também:

Dica de leitura:

augusto-cury-ansiedade-como-enfrentar-o-mal-do-seculo

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Felicidade é feita de momentos

Vejo tanta gente reclamando porque não é feliz. Tanta gente se pergunta o que significa felicidade, mas poucos sabem apreciar a felicidade que já possuem. Como diz o meu pai, tem muita gente que reclama de “barriga cheia”.

Felicidade é mais do que ter. Felicidade é ser! Entretanto, trata-se de um sentimento frágil e momentâneo, que às vezes se resume a segundos até. Felicidade é aquela sensação de plenitude que atingimos quando conquistamos algo muito esperado, quando vemos alguém de quem tínhamos saudades ou mesmo quando nos presenteamos com o tênis lançamento que vimos na propaganda da televisão.

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livro ter-ou-ser-erich-fromm

Muita gente confunde o ser e o ter. Para estes, indico o livro “Ter ou ser?” de Erich Fromm. O que muitos não entendem é que felicidade não se compra, se conquista. Ser rico não é necessariamente sinônimo de ser feliz.

Tem muita gente viva que parece estar morta por dentro. Trata-se de uma espécie de morto-vivo. São pessoas que vivem uma vida morna, dias cinzas e sonhos esquecidos. Para elas, falta emoção, falta força de vontade, falta vida. E quando isso falta, falta simplesmente tudo.

“Se você não tem vontade, então falta tudo… falta tempo, falta energia, falta dinheiro, falta paciência…” (Fernanda Suguino)

As coisas perdem o sentido. Falta coragem para mudar a realidade. Por outro lado, sobra inveja, reclamação e pessimismo. Estão sempre a criticar o outro, porque criticar é muito mais fácil do que fazer melhor. São pessoas que preferem não correr riscos para assegurar o (pouco) que tem. O que elas não percebem é que nunca serão felizes tentando viver a vida alheia.

Paixão pelo que se faz não se vende e não se compra, se descobre, se desenvolve e se lapida. Os apaixonados pela vida e pelo que fazem se destacam naturalmente. Irradiam energia, atraem a atenção e movimentam o meio em que vivem. Pessoas mornas e cinzas permanecem (infelizes) sempre no mesmo lugar.

felicidade morta

E se você ainda precisa ver com os próprios olhos o que significa ser feliz, então assista esse vídeo recomendado pelo meu querido professor e mestre Roberto Clapes Margall. Apesar do conteúdo estar em inglês, o conteúdo se expressa por si mesmo.

Entendeu agora o que significa felicidade?

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Texto por Fernanda Suguino. Todos os direitos reservados.
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Aventuras na minha nova profissão: Webanalyst (parte 1)

webanalistaFalar é fácil, colocar em prática, nem tanto. Já dei entrevistas sobre o assunto, já postei sobre o tema, mas o que eu ainda não contei é que estou experimentando, na pele, o que significa mudar de profissão e se aventurar em uma nova área. Correr atrás do conhecimento que eu ainda não tenho é o primeiro desafio. Nesse ponto, ser autodidata é quase fundamental e a internet tem sido uma aliada e tanto.

Resolvi mudar de profissão. E agora?

Perseguir colocação profissional em uma nova profissão requer competências e habilidades extras. As dificuldades são sempre relativas e traçar um plano de ação é o primeiro passo.

1. Definir um objetivo: aonde eu quero chegar? Isso definirá o que eu devo estudar.

2. Eleger um ídolo: eleja um colega de trabalho ou um expert como tutor e siga seus passos como um detetive.

3. Colocar a mão na massa: disciplina, determinação e concentração. Chegou a hora de aprender. Selecione livros, sites, blogs e discipline-se. Intenção sem ação não lhe levará a lugar algum.

4. Testar o que aprendi: tente ver o resultado do aprendizado na prática ajuda a motivar você a continuar estudando. Mescle teoria e prática para não ficar entediado.

5. Não dê um passo maior do que a perna: aumente o grau de dificuldade das tarefas gradativamente. Começar com graus de dificuldade muito elevados só vai deixar você frustrado.

No meu caso:

1. Objetivo definido: quero me tornar webanalyst. Os motivos? São vários! Considerando que sou psicóloga,  o idioma que preciso dominar é alemão, tinha que tentar uma profissão onde o idioma não fosse uma barreira. Ao chegar na Alemanha, consegui uma colocação em uma agência de internet que trabalhava para o público brasileiro, o que me fez aprender o básico (um pouco sobre: HTML, CSS, Pesquisa de palavras-chave, Content Strategy, SEO e E-Commerce). Agora, estou em uma empresa alemã (mediaworx) e a área técnica me permite uma boa oportunidade de aprender em inglês, já que alemão não é lá muito fácil.

Google Analytics Curso gratuito2. Meu ídolo: não tenho um ídolo personificado, mas estou me especializando em Marketing Digital, mais especificamente em Google Analytics e análise de Websites. Por quê? Descobri uma lacuna na empresa. Faltam profissionais especializados nessa área e há uma demanda significativa. Trata-se de uma área relativamente nova e os meus conhecimentos em Marketing e Psicologia contam, neste caso, como pontos positivos.

3.  Mão na massa: o Google disponibiliza uma série de informações e cursos gratuitos online. Muitos conteúdos estão disponíveis inclusive em Português, o que facilita bastante. Mas a maioria das fontes preciso ler em inglês mesmo. Para finalizar, acabei de me inscrever no primeiro curso da Google Academy! Em breve postarei os resultados das minhas primeiras aulas.

4. Testando meus conhecimentos: ainda falta, mas já estudei bastante. Comprei um livro sobre o assunto: Advanced Web Metrics with Google Analytics (Brian Clifton) (clique para baixar a 2. Edição gratuitamente) recomendado por um colega. Em paralelo me disponibilizei a ajudar um colega, Heiko Stiegert, em elaborar Reports para uma empresa na área de seguros (Arag). Assim, comecei a treinar o que aprendi, ganhei experiência básica em ferramentas como Xovi, Sistrix, eTracker, onPage.org e Seolytics e pude contar com o apoio dele quando surgiam as dúvidas.

5. Minhas realizações: no começo do ano, comecei fazendo pesquisa de palavras-chave para o site da empresa. Em julho iniciei um projeto com um outro colega, Ralf Schukay. Confesso que o grau de dificuldade não era (e não é) dos mais fáceis, mas meu colega tem me ajudado bastante. Ontem ministrei meu primeiro Workshop sobre Google Analytics (em alemão) para a empresa Zanox. Sobre o estresse, melhor nem comentar. Mas, tem valido à pena.

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Ensine por meio de exemplos

Ler…

É incontestável a importância da leitura para o desenvolvimento e a formação de crianças, jovens e adultos. Durante as férias escolares, poucos são os alunos que consideram a leitura um lazer. Na maioria das vezes, as crianças associam a leitura às obrigações escolares e tentam manter distância dos livros nos dias de folga.

Constatamos que os alunos não gostam muito de ler. Esta é uma opinião partilhada por muitos professores e reforçada pelas estatísticas do IBGE que apontam que 25% da população sofre de analfabetismo funcional, ou seja, lê e escreve frases simples, mas não é capaz de interpretar textos e expressar com clareza suas idéias no papel.

Apenas para uma pequena parcela, ler é uma necessidade, um prazer ou até um vício. Mas, para a grande maioria, ler é uma imposição, uma obrigação normalmente desagradável imposta pela escola ou pela profissão.

Como as escolas estão enfrentando a situação?

O gosto pela leitura está diretamente associado aos estímulos proporcionados à criança na escola e na família. A escola tem um papel primordial no desenvolvimento de atividades de reforço e/ou iniciação ao gosto pela leitura, mas o contexto familiar é de suma importância. Crescer no meio de livros e ver, à sua volta, as pessoas que os apreciam pode ser um excelente início na formação de um leitor. Principalmente se forem pessoas significativas como os pais, avós, ídolos ou amigos.

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O Colégio Magister, onde trabalhei como Orientadora Educacional, resolveu enfrentar esse desafio e estimular os alunos nessa viagem por meio do evento “Feira das Palavras”. Em grupo, os alunos ofereceram aos convidados da noite uma palavra para o mundo. Foi uma oportunidade para que eles pudessem expressar de forma criativa suas idéias, conselhos e críticas relacionados aos temas mais diversos, escolhidos por eles próprios.

O engajamento ativo dos alunos a fim de transmitir uma ideia, mensagem ou pensamento foi o ingrediente que fez a diferença. Os grupos foram formados de acordo com a sua identificação com o tema. Os alunos precisavam se sentir parte integrante daquela causa, precisava se identificar com a ideia de corpo e alma, precisavam realmente acreditar que o tema pelo qual trabalhavam fazia sentido na vida deles. Assim, as palavras eram apenas ferramentas para se aprofundarem no tema, comunicarem suas opiniões, abraçar a causa e fazer a diferença.

Motivados por uma causa única, as ideias e as leituras surgiam naturalmente nos grupos, que eram orientados pelos professores, que por sua vez, também deviam se identificar de corpo e alma com o assunto. Assim, as palavras ganharam forma, foram palestras, vídeos, enquetes, peças de teatro, jogos, gincanas, panfletos, poemas… O método não importava. A causa e o engajamento sim eram o motor do trabalho. Dentre os temas surgiram maus tratos aos animais domésticos, destruição do meio ambiente, obesidade infantil, família patchwork entre outros.

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A identificação com o tema foi fundamental para que a leitura não fosse em vão, nem apenas para ganhar nota, mas sim, para que agregasse conhecimento, conteúdo e informação aos alunos. Essa identificação garantiu uma interação com o conteúdo lido e foi o estopim para que gerar ideias, discussões e muito crescimento. Senão, como em muitos trabalhos escolares, a leitura se torna mesmo um ato vazio de significado, uma atividade monótona, feita por obrigação, cujo retorno nem sempre justifica o tempo investido em sua realização.

Para complementar, de acordo com o norte que os trabalhos iam ganhando, os professores disponibilizava aos alunos fontes (livros, sites, jornais…) que contribuiam para a fundamentar o tema e embasar os argumentos dos próprios alunos. Eles percebiam então que havia um universo de pessoas que também se interessava pelo mesmo assunto e lutavam pela mesma causa. Essa experiência permitia ao mesmo tempo um crescimento intelectual, mas acima de tudo, pessoal aos alunos. O nosso lema era: estimular a sensibilidade, o senso crítico, o gosto pela leitura, contribuindo para a construção de cidadãos ativos, conscientes e comprometidos com a prática social.

O nosso objetivo foi disseminar e multiplicar os sentido das palavras àqueles jovens, que percebiam lentamente que as palavras era apenas uma ferramenta para mover ações, paixões e emoções que tocassem às pessoas a pensar sobre o assunto, assim como eles mesmos pensaram.

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Gradativamente, vimos as discussões do recreio mudarem de tom, vimos o espaço da Biblioteca ser reocupado, vimos alunos defendendo suas opiniões e engajando-se em causas pelas quais realmente acreditavam fazer sentido. E o colégio apoiou esse movimento promovendo encontro com escritores, participação em Olimpíadas Educacionais, apoiando projetos sociais e de ajuda à comunidade local.

As palavras possuem o poder de suscitar o imaginário, conduzir sentimentos, construir valores, instigar questionamentos, encontrar novas idéias e possíveis soluções que ampliem a nossa compreensão do mundo e a nossa capacidade de transformá-lo.

“Ler é a mágica de entender o silêncio das palavras num diálogo incessante entre um livro que fala e uma alma que responde.”

Texto por Fernanda Suguino, Orientadora Educacional, Colégio Magister (2008-2009)

Pena que no texto original (Magi News, Colégio Magister Junho/2009)  escreveram meu nome errado…

Um grande abraço a todos os pais e alunos com quem tive a oportunidade e o prazer de trabalhar! Saudades de vocês e dos tempos de Magister! Foi um prazer fazer parte dessa história e ver alguns alunos ativos em movimentos estudantis que tentam mudar a cara do nosso país!

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A culpa é sua!?

a culpa é sua

E aí, ainda vai esperar passar o Carnaval para pegar no pesado?